Skyfall


Authors
kazehanatenshi
Published
1 year, 6 months ago
Updated
1 year, 2 months ago
Stats
16 13541 1

Chapter 1
Published 1 year, 6 months ago
1407

part one

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Author's Notes

I was listenng to this while writing, maybe it fits

https://youtu.be/U4XOZeJb2ZQ

Confrontation


Caramel estava, no mínimo, apreensiva. Não tinha como não pensar na situação atual. Todos os pouflons, vespires e ursukis murmuram sobre a mesma coisa, aglomerados onde estavam, deixando um clima pesado no ar. Por onde quer que fosse, a preocupação a seguia. E, obviamente, olhar para cima era apenas um lembrete de como ninguém tinha a menor ideia do que fazer.

Não muito tempo tinha se passado desde que perceberam a corrupção se espalhando. A cada dia, mais plantas morriam. Mais e mais casas eram abandonadas, enchendo Chrysantos das mais variadas criaturas de Bellacoste: ela nunca vira tanta gente assim na capital antes. Nenhuma melhora era vista, por mais que esperassem.

Escolheram lutar, então. Era a única solução que haviam encontrado. Havia uma entidade, que corrompia tudo por onde passava. A entidade era a responsável. Então, se a derrotassem, talvez tudo isso iria parar. Deveria. Se não...

Mas, oh, como ela tinha medo de fazer parte. Caramel atendeu ao chamado de batalha com três outros companheiros: Aoife, Cerridwen e Rose. Uma pouflon que não conhecia direito, e duas Vespires que também não conhecia, e a deixavam nervosa. As duas pareciam tão maiores que Caramel, que já se considerava alta para os padrões de pouflons. Ela se sentia pequena perto delas, e ao mesmo tempo aliviada, pois sabia que teve a sorte de uma Maga estar acompanhando.

Se o tamanho das vespires já a preocupavam, Caramel perdeu o fôlego quando de fato viu a entidade. 

A criatura se erguia em um campo ao longe, perigosamente perto de Chrysantos. Completamente preta, o rosto lembrava vagamente o de um Ursuki, com chifres vermelhos pontudos. Rosnava, um som reverberante. Já havia uma quantidade significativa de outros pouflons lutando, criando uma cacofonia de sons. Se a criatura não fosse tão massiva, seria difícil de ver a quantidade de ataques sendo desferidos contra ela. Desde o chamado, horas antes, dezenas de pouflons o atenderam, e lutavam até então.

Corajosos.

Não tem como eu lutar contra isso, ela pensou. Parecia impossível.

Parecia impossível, e ainda assim, ela foi a primeira a dar um passo à frente, tentando encorajar suas companheiras.

“Vamos.” Caramel diz, sua voz saindo mais determinada do que ela se sentia. “Devo eu ir primeiro?”

“Não precisa!” Aoife diz, a cauda fazendo um barulho leve. “Vocês podem vir logo depois.”

“Okay. Tenha cuidado, fofa.” É Rose quem fala agora, com um voz surpreendentemente grave, porém calma. Como se percebesse o conflito interno de Caramel, ela dirige um sorriso para a Pouflon, e logo depois faz o mesmo gesto para Cerridwen.

Cerridwen confirma com um breve movimento de sua cabeça - ela não parecia do tipo que falava muito -, e Caramel observa. Aoife abre suas asas com um farfalhar leve, o que a fazia parecer ainda maior do que antes. Ela vai aos céus, fazendo com que uma brisa leve atingia todos abaixo, e logo vai se afastando do grupo. Cerridwen e Rose são as próximas, ambas deixando um pequeno rastro de suas magias para trás.

Caramel direciona seu olhar para a entidade mais uma vez. Um rugido alto é ouvido, fazendo-a abaixar suas orelhas, incomodada.

Não sou tão forte, ela pensou, quando abria suas asas e ia aos céus, pronta para seguir seu grupo. Não sou nada como elas. Não consigo fazer isso. Eu sei que devo ajudar, eu sei que fazer minha parte é importante, mas me sinto tão pequena. Eu--

Ela chama seus poderes. Uma leve dor a acompanha. Caramel consegue sentir os lírios crescendo rapidamente em seu corpo, e as videiras fazendo pressão contra suas pernas, não ao ponto de se tornar insuportável, no entanto impossível de ignorar. Ela tentou afastar o medo no fundo da garganta. Sua mente martelava os mesmos pensamentos de antes, incessante. Eu não consigo, eu não consigo, não estou pronta.

Ela vê a entidade rugir novamente, o som reverberando dentro de sua cabeça. Quanto mais se aproxima, maior ela fica.

De súbito, a  entidade parece focar seus olhos malignos no seu grupo. Em algum lugar da sua mente, ela tem certeza que esse não é o caso, mas ainda assim vê Aoife redirecionando seu voo para desviar de uma garra, quase desaparecendo na energia negra que o movimento deixa para trás. Rose logo se junta a ela,  liberando fogo de sua boca, atingindo a perna que a criatura não moveu antes. 

Caramel vai antes de conseguir observar o que Cerridwen fazia, engolindo em seco. Se não for agora, eu não vou conseguir, disse a si mesma.

Bate suas asas, e avança por baixo das vespires, na direção das patas da criatura. Seu poder vibra. As videiras de seu corpo se mexem, incessantes, acompanhando os movimentos das videiras que ela faz surgir no chão, as mais fortes que ela é capaz de conjurar, que não perdem tempo algum em se alojar na entidade. Mais plantas surgem do chão, prendendo também a cauda da entidade. Tanto as de seu corpo quanto as que criara cresciam rapidamente, na ideia de prender a criatura. Se não por completo, pelo menos por tempo o suficiente para outros fazerem mais estrago.

Por um momento, Caramel pensou que seria o suficiente. Ousou pensar isso é o suficiente. Vai tudo acabar logo. Ficaremos seguros, de volta a nossa rotina normal.

Então ela deixou uma risada fria sair, observando a facilidade com que o monstro as destruiu todas, com um estalo alto.

Que tentativa irrisória, Caramel percebeu.

A Entidade ainda estava lá, a poucos metros dela, rosnando. Ainda mexia a cauda, no momento distraída com algum pouflon que lançava magias contra ele.

Caramel fechou os olhos com força, tentando afastar os pensamentos negativos para longe. Raiva substituiu a decepção, logo borbulhando em fúria. Caramel tentou novamente, batendo as asas próximo ao chão. Focou sua magia mais uma vez, a tempo de  ver de relance o corpo de Rose, lançando-lhe uma expressão preocupada.

Tudo que pensava foi subitamente interrompido. O ar de seus pulmões simplesmente desapareceu, num instante ela o tinha, respiradas tremidas, e no outro, não havia nada.  Suas asas pararam de funcionar por um momento, e Caramel entrou em desespero. 

O responsável pelo ataque foi a cauda da criatura, se movendo sem esforço para longe dela. Caramel tossiu, encontrando o ar de volta por alguns breves momentos, assim como o movimento do seu próprio corpo. A besta nem ao menos lhe lançou um olhar, mas ela ainda pensou ter visto um brilho de malícia passar por eles.

Oh.

Oh, não.

“Caramel!”

Ela mal escutou. Caramel focou em voar para longe o mais rápido possível, pousando em grama fofa. Ficou difícil respirar de novo. Sua cabeça se moveu para o lado, para ver o estrago. Havia preto em seus pelos.

“Caramel!” Era a vespire rosa, aquela que mal conhecia, descendo rapidamente na direção dela. “Você está bem?” ela perguntou, quando finalmente pousou ao seu lado, as asas farfalhando.

“Eu…” precisou se esforçar para fazer as palavras saírem; “Não se preocupe comigo.” Não quis olhar para Rose. Tinha os olhos fixos nos próprios pelos, o negro e vermelho se espalhando numa velocidade alarmante. As plantas de seu corpo se moviam erraticamente, numa tentativa de fugir do estrago, mas era tarde demais, “por favor não se aproxime.”

“Que-- Não diga besteira! Você precisa de um curandeiro, você--” Não por favor, não me toque, pode te machucar também!

Rose percebeu tarde demais o porquê. Subitamente, as plantas do corpo da Pouflon tomaram uma cor amarelada, deteriorando rapidamente. 

Caramel nunca sentiu tanta dor em sua vida.

Acima delas, a entidade rugia, bloqueando outros sons.

Ela abriu a boca para gritar ao mesmo tempo em que Rose segurou seu ombro, mas a corrupção já havia tomado a maioria de sua garganta, então tudo que ela conseguiu emitir foi um grunhido engasgado, antes que a corrupção a engolisse por completo.

Patético, foi seu último pensamento.

A luta ao redor delas continuou, indiferente.